A NSMBA é uma aula sobre o mountain bike organizado em proporções épicas

A NSMBA é uma aula sobre o mountain bike organizado em proporções épicas

 

Adjacente à região metropolitana de Vancouver, no oeste do Canadá, há um vasto sistema de trilhas que surgiu de forma orgânica desde 30 anos atrás. O número catalogado de trilhas no Trailforks é assombroso: 2362 trilhas, abrangendo uma distância total de 2995 quilômetros, usados por um número estimado próximo à 250.000 ciclistas, sem contar caminhantes.

Todas esssas trilhas estão compreendidas dentro da North Shore, uma floresta temperada que recebe até 4000mm de chuvas anuais. Para efeito de comparação, a cidade Florianópolis, as vezes chamada de Chuvianópolis, recebe uma média anual de 1500mm, pouco mais de 1/3 terço do que cai em Vancouver.

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Um dia típico em Vancouver

Dentre os sistema de trilhas existentes, dois dos mais populares são Mount Seymour e Mount Fromme, que são adotados pela North Shore Mountain Bike Association – NSMBA, a mais organizada das associações ou clubes que cuidam das trilhas da cidade.

A NSMBA é uma aula sobre como viabilizar o mountain bike de forma organizada e sustentável e gerar resultados grandiosos. Aqui descrevemos os pontos chaves desta empreitada de sucesso.

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As origens da NSMBA

A NSMBA foi formada em 1997 como resposta à sabotagem em trilhas específicas para mountain bike. Nessa época o esporte era relativamente novo e essas ações não eram um bom presságio para a segurança futura dos bikers na North Shore.

Também haviam rumores circulando sobre investidas que potencialmente inibiriam o acesso às trilhas por ciclistas. Haviam boatos que uma empresa iria tomar conta do Mount Fromme e cobrar pelo acesso. Também boatos que loteamentos novos iriam tirar trilhas no Mount Fromme e Seymour.

O problema que os praticantes de mountain bike enfrentavam era a falta de uma organização de base, raiz, capaz de formular uma resposta unida contra essas ameaças.

Depois de formada, em 2009, a NSMBA quase implodiu e estava operando sem um quadro de diretoria, com um comunidade não engajada. Apenas dedicados construtores de trilhas estavam empenhados. Na época o presidente deu um ultimato, ou a associação se desfazia ou seria reconstruída.

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Das bases à liderança

Desde 2010 a associação se tornou líder no campo emergente de soluções para trilhas sustentáveis. Iniciativas educacionais, tanto locais e regionais, são focadas em cuidados de longo-prazo. A comunidade se tornou um grande grupo de voluntários educados e engajados que participam em várias iniciativas como a Shore Corps, o Plano de Adoção de Trilhas e a Academia de Formação de Construtores de Trilhas.

Pessoal e Administrativo

A NSMBA depende predominantemente de voluntários. A Diretoria é toda formada por voluntários não pagos, apaixonados pelas trilhas da North Shore. A Diretoria é apoiada por dois staff, um gerente de programas integral e um admistrador meio-período.

A Diretoria é eleita anualmente. São responsáveis por planejar o futuro da organização e tem o deveer de agir de boa fé e com uma visão sobre os melhores interesses da Associação.

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Arrecadação

Os ciclistas e caminhantes ou corredores que usam as trilhas são incentivados em campanhas a se tornarem membros da associação. Isso é feito por meio de um programa de adesão, onde a pessoa paga 40 dólares para o ano.

Tornar-se um membro da NSMBA não tem a ver com acesso às trilhas. Essa adesão significa que a pessoa se importa com as trilhas e lhe dá uma voz junto aos patrocinadores, os proprietários dos terrenos e os vários níveis do governo canadense.

Uma segunda forma de contribuição, mais barata, é a compra do passe anual, no valor de 15 dólares.

O dinheiro é usado para

  1. Pagar trabalho profissional em projetos específicos
  2. Pagar materiais, ferramentas e equipamentos para uso de voluntários em dias de trabalho
  3. Gerenciar programas que eduquem a comunidade nas melhores práticas de construção de trilhas
  4. Engajar de forma pró-ativa com os proprietários dos terrenos para garantir seu apoio e investimento na rede de trilhas

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Plano de Adoção de Trilhas

Funciona pela parceria entre comunidades ou empresas com profissionais treinados como construtores de trilhas. O adotante de uma determinada trilha submete um projeto, que depois é aprovado e executado por uma equipe constituída pelos interessados da sua comunidade/empresa.

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Academia de Formação de Construtores de Trilhas

O programa começa com um a sessão teórica que ensina fundamentos de técnicas modernas para verificar, construir e manter trilhas, com grande foco na sustentabilidade de longo prazo e experiência positiva por parte dos usuários das trilhas. Cada aula é seguida por um dia na floresta para aprendizagem prática.

O programa é gratuito, mas aberto apenas para membros.

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Um programa composto pelos graduandos da Academia de Formação, que recebem um crachá e podem trabalhar na floresta sob a tutela de um Líder Construtor. Seus membros participam de projetos de melhorias nas trilhas existentes.

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Melhores Práticas na Construção de Trilhas

A NSMBA usa o padrão mais robusto aplicável. Esse princípio é aplicado à topografia e clima únicos da região, com foco no longo-prazo. Os projetos são feitos em cima do que existe e almejam o resultado de maior qualidade possível que contemple a Equação de Sustentabilidade de:

  • Alta capacidade de carga
  • Volume de chuvas extremo
  • Fácil acesso
  • Disponibilidade ao longo do ano inteiro

A rede de trilhas que existia antes do surgimento da NSMBA foi criado de forma orgânica sem nenhum planejamento central. Elas foram construídas em uma época onde “sustentabilidade” não fazia parte do vocabulário. Devido o impacto acumulado desses fatores, muito do trabalho completado pela associação tem o intuito de ser um upgrade do que já existia.

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Referências

  1. Cidade Florianópolis no Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Florian%C3%B3polis
  2. North Shore Mountain Bike Association 101 – Understanding the Organization’s Future and Purpose: https://drive.google.com/file/d/0BybBpJdymDJvOUJHQlFfWTVUeWs/view

 

 

O improvável caso do Mountain Bike em Cancún

O improvável caso do Mountain Bike em Cancún

Traduzimos abaixo o relato entusiasmante de uma pessoa que botou a cara à tapa, arregaçou as mangas e produziu algo improvável: um sistema de trilhas de 16km em um lugar onde não havia nenhuma, onde ninguém antes praticava mountain bike, em uma região onde o esporte é pouco conhecido.

Então… nós moramos em uma terra plana, na Península de Yucatan, mais exatamente na Riviera Maya no México, perto de Cancún. Mas mesmo sem os morros, temos uma floresta tropical! E pedras! E queríamos ter trilhas para andar. O problema é que com 3 meses de chuva na temporada chuvosa anual, a floresta iria fechar todas as trilhas, então precisaríamos de manutenção constante. A Península de Yucatan é uma grande pedra, então tem esse outro problema…

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Tudo é pedregoso, e o percurso pode se tornar bem técnico. Outros de nossos problemas foram a quantidade de regulamentações nacionais, porque algumas plantas, árvores e vida selvagem são protegidas, então tínhamos um grande desafio, construir as trilhas sem tocar nas plantas. Não podemos usar nenhum tipo de maquinário porque nos preocupamos com a vida selvagem, nos preocupamos com o barulho, as trilhas não podem ser largas. Também rezamos pra não encontrarmos nenhuma ruída Maia, caso contrário teria outra instituição nacional para lidar com isso…

Fizemos um contrato com o proprietário do terreno, o qual agora é compartilhado com uma empresa de turismo que tem cavalos, quadriciclos, jet-skis, caiaques, kite surf e um lindo clube de praia, e eles nos deram um espaço específico no terreno para trabalhar.

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Tudo era confuso. Não tínhamos investidores, tivemos que construir as trilhas com nosso próprio dinheiro e tudo que teve ser feito com nossas mãos… por fim tentamos trazer as pessoas da IMBA para que compartilhassem seu conhecimento conosco, mas o custo de trazê-los estava fora de mão. Mas, nós éramos bem teimosos e decidimos tocar o projeto mesmo assim.

Nós queríamos um bike park desafiador para praticar mountain bike cross-country. Com todos esses fatores que mencionei, soava como loucura! Mas começamos a trabalhar. Compramos livros da IMBA para referência e com a minha experiência de mountain biker, conhecendo bike parks em outros lugares no mundo, e com a ajuda de pessoas incríveis, agora depois de quase um ano trabalhando, temos pouco mais de 16km de trilhas divididas em: pouco difícil, difícil e bem difícil. Estamos orgulhosos do que fizemos até agora. Alguns ciclistas dos EUA, Canadá e Europa vieram (porque nossa região é destino turístico bem popular) e eles comentam ótimas coisas. Geralmente o rótulo dado é Um Estilo Diferente de Mountain Bike.

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O trabalho foi duro, mas tenho certeza que precisamos da opinião dos experts, porque queremos mesmo criar um bike park seguro, que ao mesmo tempo seja desafiador e divertido em todos os níveis. Queremos fazer do jeito certo. Então se tiver alguém de férias em Cancún ou na Riviera Maia que queira aparecer e nos dar umas dicas? Obrigado pela ajuda.

Relato por Alberto Cardenas

Talvez quem possa dar uma passada por lá somos nós. No caso, para pegar as dicas, e não dá-las!

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Referências

  1. Punta Venado Bike Park: http://www.pvbikepark.com/
  2. Punta Venado Bike Park no Trailforks: https://www.trailforks.com/region/punta-venado-bike-park/
  3. Relato publicado no MTB Project: https://www.mtbproject.com/forum/topic/22779/proyect-near-cancun-building-trails

O curioso movimento de mountain bike em uma cidade do interior do Oregon nos EUA

O curioso movimento de mountain bike em uma cidade do interior do Oregon nos EUA

O Complexo de Trilhas do Phil é um emaranhado de 300km de trilhas singletrack de diversos níveis de dificuldade. A entrada fica à poucos minutos da cidade do centro de Bend (Oregon, EUA).

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300 quilômetros de trilha ao lado do centro da cidade

Bend não é nem de perto o maior destino turístico dos EUA. Nem mesmo do mountain bike. É uma cidade com apenas 75.000 habitantes. Como pode uma cidade tão pequena ter um sistema de trilhas específicas para mountain bike desta proporção?

Tudo começou com um homem: Phil.

Quando Phil Meglasson trabalhava para a U.S. Geological Survey criando mapas topográficos no início da década de 80, ele descobriu uma maneira eficiente de lidar com o trabalho.

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Phil Meglasson

“Eu conseguia andar com minha mountain bike para o trabalho dia após dia,” relembra Meglasson.

Ele e vários outros pioneiros da região central do Oregon começaram a rodar em trilhas de cervos e estradas de exploração madeireira e transformando elas em trilhas de bike.

Mal eles sabiam que seus esforços iniciais eventualmente transformariam a região em uma Mecca do mountain bike, um lugar onde hoje incansáveis voluntários constróem e mantém trilhas onde aparecem rebanhos em massa de pessoas locais e turistas.

E agora essas trilhas se tornaram a central dos principais eventos nacionais, como o campeonato nacional de mountain bike maratona. Recentemente uma corrida de 80km foi realizada em uma trilha que nem existia há 5 anos atrás, uma prova do crescimento do movimento.

Quando Meglasson e seus amigos Dennis Heater, Bob Woodward e Mike McMackin formaram um clube no início dos anos 80, eles só queriam achar um lugar off-road para andar de bicicleta.

“A gente só tirava os galhos”, diz Meglasson, relembrando o passado da construção de trilhas. “Nós nem usávamos ferramentas.”

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No final dos anos 80, seu grupo de amigos começaram a se esforçar mais. Esse esforço acabou na criação, em 1992, da Central Oregon Trail Alliance (COTA), e a formação de parceria de longa-data e crucial com o Serviço Florestal Americano.

Depois de 30 anos da sua concepção, a Rede de Trilhas Phil’s tem uma variedade enorme de tipos de trilhas, contruídas por ciclistas, para ciclistas.

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Meglasson ainda anda de mountain bike 4 vezes por semana, e diz que trabalha de 100 a 150 horas em trilhas a cada ano. Ele é o mantenedor líder da trilha Mrazek, ao norte do sistema.

Uma dúzia de mountain bikers pedalavam na floresta perto de Bend nos anos 80. Hoje, a COTA estima que mais de 10.000 pedalam a cada ano na região central do Oregon.

O Phil sente falta de antigamente, antes de suas trilhas se tornarem o nome de um lar da região e ficou lotada de ciclistas, caminhantes e corredores?

“Às vezes, quando você está descendo uma trilha e fica encontrando várias pessoas, você meio que sente falta dos dias de antigamente,” ele admite. “Mas lá atrás, nós não tínhamos tanto singletrack.”

E agora eles 300 quilômetros – e incontáveis voluntários fazendo manutenção.

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Referências

  1. The Bend Confidential: COTA is a Model for Building Trails that Mountain Bikers Want: http://reviews.mtbr.com/the-bend-experiment-cota-is-a-model-for-building-trails-that-mountain-bikers-want
  2. Meet THE Phil: http://hutchsbicycles.com/meet-phil-the-man-behind-phils-trail-complex/
  3. Bend Bulletin: http://www.bendbulletin.com/

E se as crianças pararem de brincar ao ar-livre?

E se as crianças pararem de brincar ao ar-livre?

Opinião publicada originalmente em Singletracks.com, por Greg Heil

Nota do autor: Não sou pai. Não tenho filhos. No entanto, em algum momento fui uma criança e é interessante para mim observar como o ambiente das crianças e adolescentes com as quais eu interajo tem mudado relativamente rápido desde a minha infância. Apesar de não ter filhos, eu acho importante sentar e tentar fazer a seguinte pergunta: E se as crianças pararem de brincar ao ar-livre?kids-video-game.jpg

 

De forma breve, os três potenciais resultados que consigo imaginar pessoalmente são:

1. Crianças não desenvolverão um conhecimento verdadeiro das consequências naturais

Pessoalmente tenho observado um aumento do desprezo pelas consequências no mundo. Seja um político que fere a lei e mantêm o seu emprego, seja alguém cometendo um estupro e se livra apenas com um tapa, ou seja um motorista que rodopia o carro tentando fazer uma curva a 160km/h. Muitas pessoas que compartilham nossa vida tem uma idéia bem errada de consequências. E elas tentam as evitar a todo custo quando alguma coisa sai errada.

Quando você coloca sua roda dianteira em uma vala, ao invés de passar sobre as raízes à sua frente, você passa por cima do guidão. As consequências são imediatas e absolutas. Não há discussão a ser feita – você sofre imediatamente as repercussões de suas ações.

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2. Crianças não irão adquirir a coragem e perseverança que os desafios enfrentados de formas verdadeiramente viscerais fornecem

Se nós constantemente quisermos coisas mais fáceis, seremos humanos moles e fracos, ao invés de homens e mulheres resistentes e moldados pelo desafio e pela adversidade.
Toddler Riding Strider on Pipe Dream Trail, Utah

3. Crianças irão perder o contato com o meio ambiente e outras formas de vida

Não conheço melhor forma para estar em sintonia com o meio ambiente, a troca de estações, os movimentos dos animais pelo seu habitat natural, que dispender tempo debaixo do expanso azul do céu aberto. Às vezes, posso ficar três ou quatro dias sem sair de casa, especialmente se lá fora estiver desagradável e desconfortável.

No entanto, percebi que se ficar um dia sem botar o pé fora de casa, perco o contato com o que o clima está fazendo. Perco o contato com as flutuações em temperatura, a brotação das plantas na primavera, o caimento das folhas no outono. Podemos perder completamente esses ritmos da vida e mudanças que nossos ancestrais estavam intimamente familiarizados.

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Pesquisa revela que impacto em trilhas por ciclistas e caminhantes é similar

Pesquisa revela que impacto em trilhas por ciclistas e caminhantes é similar

Mountain bikes causam mais erosão ao solo que caminhantes e cavalos, certo?

Na verdade não. De acordo com pesquisas científicas, patas e pés calçados podem, inclusive, causar mais danos.

O que diz a Ciência?

A resposta curta é, não muito. Mas o pouco de pesquisa que foi feito sugere que rodas causam menos danos do que você pensaria. Lá atrás em 1994, John Wilson e Joseph Seney da Universidade Estatual de Montana (nos EUA) compararam a erosão de caminhantes, motoqueiros e bicicletas off-road nas trilhas do estado de Montana.

Eles molharam a trilha para simular clima úmido e cada grupo passou sobre a superfície 100 vezes. E eles descobriram… não muito. Não houve diferença estatística significativa entre caminhantes e ciclistas, mas cavalos e motos detonaram a trilha.

Depois disso, os australianos Luke Chiu e Lorne Kriwoken conduziram um estudo sobre impacto físico no Wellington Park, na Tasmania, publicado em 2013. Novamente, não houve diferença entre o nível de impacto causado por ciclistas e caminhantes.

Finalmente, Jeff Marion do US Geological Survey observou os 125km de trilha da área de recreação Big South Fork, compreendida entre os estados do Tennessee e Kentucky, comparando trilhas específicas para cavalos, trilhas de caminhada, de bike e de quadriciclos. E, atenção, trilhas de mountain bike tinham a menor erosão. Também, modelagens feitas em computador mostraram que estas sofreram a menor perda de solo. Até então tudo bem…

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Trilha para cavalos em Montana (EUA)

Sobre trilhas de bike está tudo certo, então?

Não exatamente. A pesquisa feita na Tasmânia também descobriu que quando a trilha estava molhada e íngreme, a erosão nesse caso era pior (em comparação com caminhada). Na verdade, a água pode ser o maior destruidor de todos, no final de contas, ofuscando o impacto de rodas e pés.

Nota do CicloTrilhas Floripa: a água aliada à percursos mal projetados é um inimigo ainda maior.

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Trilha de bike no Wellington Park, Tasmania

Referências

Wilson, John, and Seney, Joseph, Erosional impact of hikers, horses, motorcycles, and off-road bicycles on mountain trails in Montana, Mountain Research and Development, Volume 14, Issue 1, p. 77-88, DOI: 10.2307/3673739, Published Feb 1994

Chiu, Luke, and Kriwoken, Lorne, Managing Recreational Mountain Biking in Wellington Park, Tasmania, Australia, Annals of Leisure Research, Volume 6, Issue 4, 2003

Texto originalmente publicado em MBR, escrito por Jamie Darlow

Cervejas do CicloTrilhas

Cervejas do CicloTrilhas

Curte uma boa cerveja artesanal? Que tal adquirir uma das edições comemorativas que o CicloTrilhas fez para 3 trilhas populares. Parte do valor de cada uma irá para o Caixa do grupo!

ANTENAPA – Cerveja tipo American Pale Ale (APA) – Trilha da Antena

BERNIPA – Cerveja tipo Indian Pale Ale (IPA) – Trilha do Berne

TRAWEISSÃO – Cerveja de trigo (Weiss) – Trilha do Travessão

No momento estão à venda na Cicles Hoffmann

Grupo de ciclistas realiza readequação de trilhas para mountain biking, em Florianópolis

Grupo de ciclistas realiza readequação de trilhas para mountain biking, em Florianópolis

Membros do CicloTrilhas Floripa trabalham voluntariamente na manutenção dos percursos, como no bairro João Paulo

por GUSTAVO BRUNING
publicado original em Notíticas do Dia em 04/03/2017

Apesar da escassez de ciclovias nas ruas de Florianópolis e dos riscos enfrentados por ciclistas em meio aos carros, um grupo de entusiastas do ciclismo levou a paixão pelo esporte mais além. Adeptos do mountain biking, que consiste em percorrer trajetos mais rudimentares que as estradas, criaram o CicloTrilhas Floripa, um projeto que busca conservar e readequar trilhas e que completou dois anos no último mês. Ao lado de dois membros do grupo, o ND percorreu um dos percursos adaptados, no bairro João Paulo.

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A trilha do bairro João Paulo é considerada a mais acessível para ciclistas na região – Marco Santiago/ND

Desde fevereiro de 2015, o grupo já trabalhou em quatro trilhas em Florianópolis. A primeira empreitada foi no Maciço da Costeira, percurso que tem cerca de 6 km de extensão. As intervenções são feitas inteiramente pelos membros – o projeto não conta com nenhum investimento público. “O trabalho realizado na criação de um circuito de qualidade como este custaria pelo menos R$ 150 mil. Apenas em São Paulo há outros do tipo, e eles são todos privados”, explica um dos criadores do grupo, o programador Alexandre Schulter, 35 anos, de Blumenau.

Durante a manutenção, os membros atuam ao lado de técnicos para planejar a inclinação e a erosão do solo em trechos específicos, além de se preocupar com a forma como a água da chuva percorrerá a área. “O principal inimigo da trilha é a água. Se ela for mal projetada, acaba destruída”, afirma Alexandre, que pratica mountain biking desde 2003. O caimento, a drenagem e o estudo da trilha, portanto, exigem um planejamento.

Desafio em João Paulo

Ao lado de Alexandre, o engenheiro mecânico gaúcho Cristiano Sarturi, 37 anos, guiou a reportagem ao longo dos 3 km da trilha JP, como é conhecida pelos ciclistas, considerada a mais acessível da região – apesar disso, é categorizada como intermediária. O local se tratava de uma travessia e, após os trabalhos do grupo, ganhou o formato de circuito. Em certo momento, possui uma subida de seis curvas, algo incomum na categoria. Alexandre esclarece que a decisão de aumentar o número de curvas foi tomada com o intuito de evitar uma subida íngreme demais.

“Não queremos deixar tudo pavimentado”, conta Alexandre. Em alguns casos, o trajeto se adaptou em função das peculiaridades da área, como no fim da trilha JP, onde uma grande árvore chama a atenção por causa de seus belos galhos e raízes cercadas de pedras. “Tínhamos que fazer um caminho alternativo por aqui, para que as pessoas pudessem ver esses detalhes da natureza. Isso faz parte da graça de conhecer a trilha”, diz Alexandre.

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Os galhos de uma grande árvore são um atrativo à parte na trilha JP – Marco Santiago/ND

O percurso da trilha do bairro João Paulo passa por uma APP (Área de Preservação Permanente), além de uma área privada da Casan. Em trechos mais altos, a quantidade massiva de pinheiros denuncia que se trata de uma área degradada. O trabalho realizado pelo CicloTrilhas Floripa no local teve início no fim de 2015 e até hoje passa por ajustes.

Segundo Alexandre, 434 ciclistas percorrem as quatro trilhas monitoradas pelo grupo entre janeiro e dezembro de 2016 – a informação é do aplicativo de ciclismo Strava. Além disso, famílias com crianças e animais de estimação costumam frequentar o trajeto, que pode ser iniciado pela Rua Vereador Domingos Fernandes de Aquino. O caminho é indicado por fitas azuis presas em troncos de árvore. Uma sinalização mais clara, no entanto, já foi criada pelo grupo CicloTrilhas Floripa. “Temos os modelos das placas prontos, porém não temos autorização para colocá-las”, declara Cristiano.

Em um dos trechos, uma pequena rampa de madeira aponta em direção a uma descida abrupta. Alexandre explica que se trata de um drop, que muitos ciclistas preferem evitar. Para “saltar” de bicicleta através do drop, não basta pegar velocidade. “É preciso estar na marcha certa e ter muita confiança”, garante.

Trabalho em equipe

O foco do grupo é a conservação de trilhas e a legitimação da prática de mountain biking nos percursos. Atualmente há 50 integrantes ativos, que exercem as mais diversas profissões – de dentistas a designers. Todos participam voluntariamente das atividades. Eles se encontram nos finais de semana e arrecadam dinheiro para a compra e aluguel de ferramentas que auxiliam nas intervenções. “Nós que botamos a mão na massa”, brinca Cristiano.

O projeto foi inspirado em trabalhos de intervenções em trilhas realizados em diversas partes do mundo. Os objetivos, neste momento, incluem encontrar abertura para discutir novos projetos com a Prefeitura e contar com mais segurança nos trajetos.

Durante a caminhada pela mata, Alexandre comenta as similaridades entre a capital catarinense e a cidade litorânea Cairns, na Austrália. Na equivalente australiana, o sistema de trilhas para mountain biking já dava as caras na década de 1990. “Florianópolis é perfeita para essa atividade por conta das montanhas e de toda a área verde”, diz.

“O ciclista gosta da natureza e quanto ele está na trilha acaba se tornando um monitor”, garante Cristiano. No bairro João Paulo, a chegada do grupo contribuiu para que a presença de motociclistas na mata se tornasse escassa. “Eles faziam disputas à noite e incomodavam moradores da região com o barulho”, conta Alexandre. Com o apoio da associação de moradores, também foi possível dispersar os usuários de drogas que ficavam no local.

Através da página do grupo (facebook.com/ciclotrilhasfloripa) é possível acompanhar os trabalhos do CicloTrilhas Floripa.

Trilhas readequadas para ciclistas em Florianópolis

  1. Maciço da Costeira, que liga o Pantanal ao Córrego grande
  2. Caminho do Travessão, que liga o Morro da Lagoa ao Monte Verde
  3. JP, situada no João Paulo
  4. Trilha da Fazendinha, situada no Pantanal