Nova Zelândia: Construindo uma Trilha de MTB de $12MD

Este vídeo foi apresentado no Festival de Filmes de Montanha da Nova Zelândia de 2020

Publicação original

A incrível resiliência e habilidade dos Trail Builders.

A tão esperada trilha Paparoa abre neste verão. A repórter do Greymouth Star, Helen Murdoch, conversa com alguns dos construtores que enfrentaram 6 metros de chuva, raios e neve para criar uma trilha inesquecível.

Idealizadas a partir de uma tragédia e criadas por obstinação e determinação — as trilhas de Paparoa e do Memorial Pike 29 são medalhas de honra para as equipes que as construíram.

Foi em homenagem às 29 vítimas do Rio Pike que construtor de trilhas de toda a Nova Zelândia chegaram a passar até dois anos e meio lutando contra a geografia e o clima para esculpir uma trilha através de uma cadeia de montanhas, por uma área intocada e indo em direção ao mar.

O traçado foi desenhado pelo construtor de trilhas Hamish Seaton, que passou meses percorrendo os cumes e florestas para determinar a rota principal e encontrar o gradiente médio de 1:10, criando assim um caminho pouco visível na paisagem.

Trabalhadores, engenheiros e empreiteiros do Departamento de Conservação e das empresas Westreef, Nelmac, Abseil Access e Natural Construction Company começaram esculpindo a trilha e construindo pontes suspensas, abrigos para até 20 pessoas, pontes de madeira e infraestrutura ao longo dos 55 km da Trilha Paparoa e dos 11 km da Trilha Memorial Pike 29 em agosto de 2017.

As equipes viviam em cabanas e acampamentos acessíveis somente a pé, moto ou helicóptero, e trabalhavam em meio a neve, calor, chuva, rocha e lama até os joelhos para construir uma trilha da qual todos se orgulhassem.

A trilha principal multiuso forma a 10ª Grande Caminhada da Nova Zelândia e é a primeira a ser construída desde a Kepler Track em Fiordland, em 1987.

Sunlight filters through the bush, turning a section of the Paparoa Track gold. PHOTO: TOM...

A luz solar é filtrada através das árvores, transformando um trecho da Paparoa Track em ouro. FOTO: TOM WOODWARD-NELMAC

O gerente de projetos ambientais da Westreef, Jim McIlraith, disse que a tarefa das equipes de esculpir uma trilha permanente e viável, mas com o mínimo de impacto para a geografia da região, era muito desafiadora.

O acampamento da equipe principal em Watsons Creek ficava a 8 km do desfiladeiro Pororari. Dali, duas equipes de cinco pessoas trabalhavam em turnos, intercalando sete dias de trabalho e sete dias de folga.

O segundo acampamento na confluência de Cave Creek e do Rio Pororari abrigava quatro trabalhadores, trabalhando em turnos de cinco dias de trabalho e dois de folga.

A tarefa das equipes era construir 26 km de trilha a partir da junção da antiga Trilha Inland Pack, vinda da costa, em direção ao sul, até a escarpa de Paparoa.

“É um ambiente instável”, disse McIlraith.

“As árvores caem quando bem entendem, pode cair 100mm de chuva durante uma noite e tudo vira lama.

“É preciso muita paciência e compreensão, e aceitar que é assim mesmo e não ficar  impaciente demais”.

Ele falava regularmente das condições com as equipes.

“Era importante não ficar pensando na quantidade de trabalho por fazer, porque isso trazia uma perspectiva assustadora”.

Em vez disso, dividir em pequenas etapas tornava essa perspectiva administrável, além disso, os turnos de sete dias, que dava às equipes tempo para se distraírem da rotina incansável, provaram ser a melhor maneira de lidar com a vida no mato, disse ele.

Mas eles sabiam no que estavam se metendo.

Muitos dos trabalhadores, inclusive McIlraith, haviam passado anos trabalhando na Old Ghost Road em Buller e estavam familiarizados com a paisagem e o terreno da Costa Oeste.

As equipes eram habilidosas, compostas por trabalhadores com experiência em mineração ou ou em florestas, ótimos operadores de máquinas e especialistas em explosivos capazes de trabalhar o relevo.

Westreef track crew’s camp on the Paparoa Escarpment in the winter. PHOTO: JIM MCILRAITH

Acampamento da equipe da Westreef na escarpa de Paparoa no inverno. FOTO: JIM MCILRAITH

Eles precisavam da mentalidade certa para trabalhar longe de casa e em condições piores que desejáveis, disse Jim.

“Os acampamentos eram bons — mas não eram as suas casas”.

Apesar do ótimo planejamento, pequenos problemas simples interrompiam o progresso até que fossem encontradas alternativas.

“Não tinha uma loja de materiais de construção no caminho. Você tinha que aceitar e lidar com isso “, disse McIlraith.

Uma coisa que nenhuma equipe poderia alterar era o clima. A precipitação anual de Paparoa é de 6000mm (6m por ano).

“E tivemos mais do que isso este ano. É simplesmente extraordinário. “

Apesar da adversidade, a equipe sabia que era boa o suficiente.

“Começamos com uma boa equipe e agora temos uma equipe excepcional.

“A Paparoa foi a trilha mais desafiadora já construída — e conseguimos dar conta”.

Assim como com a trilha, as equipes também criaram uma afinidade com os homens do Rio Pike.

“Muitos da equipe eram de famílias de mineiros ou já haviam sido mineiros. Havia uma verdadeira afinidade e proximidade com as famílias do Rio Pike”.

As equipes têm respeito pela oportunidade de construir a trilha como um memorial aos mineiros do Rio Pike.

“Sabemos que eles não deveriam estar lá e queríamos nos manter seguros. Esses caras são especiais para nós. “

McIlraith disse que a maior satisfação foi poder participar da construção da trilha, e o orgulho das equipes que permitiram que ela fosse construída.

“Eles podem erguer a cabeça e se orgulhar.”

As equipes que trabalharam com Tom Woodward, da Nelmac, terminaram 5 km da trilha ao norte do abrigo Moonlight Tops e ainda estão trabalhando duro na Trilha Memorial Pike 29, de 11 km, que desce da trilha principal ao norte até o que será o Centro de Visitantes da Mina do Rio Pike.

A drone captures Nelmac’s digger carving out the track. PHOTO: TOM WOODWARD-NELMAC

Um drone fotografa a escavadeira da Nelmac esculpindo a trilha. FOTO: TOM WOODWARD-NELMAC

Agora suas duas equipes estão trabalhando em paredões de rochas com escavadeiras e penduradas em cabos para terminar o trabalho.

Enquanto estavam no topo, ficaram no abrigo Moonlighte mudaram-se para as instalações da mina do Rio Pike quando começaram a Trilha Memorial.

Agora que a reentrada da mina está em andamento, eles se mudaram novamente para um acampamento na floresta no meio da trilha, acessível apenas por helicóptero, moto ou a pé.

“Mas o mau tempo nos últimos seis meses significa que os helicópteros não conseguem chegar e temos que transportar tudo em motos”, disse Woodward.

Woodward, que trabalhou no Chile e na Patagônia construindo trilhas de mountain bike, disse que o cenário e as aves encontradas nas Paparoas são fantásticos.

“A floresta é linda em Moonlight. Ouvimos kiwis cantando à noite, vemos os kaka e também os kea voando envolta.” (Kiwi é a principal ave e símbolo da Nova Zelândia. Kaka e Kea são pássaros nativos, que lembram papagaios).”

As tempestades chamaram a atenção dos trabalhadores.

“Toda semana temos uma tempestade que, se acontecesse em Nelson ou na costa leste, as pessoas falariam a respeito pelos próximos 10 anos”.

Raios, chuva que vira granizo, neve e temporais transformam as trilhas em construção em uma lama tão profunda que as equipes têm que colocar troncos em cima para impedir que as escavadeiras afundem.

A paixão mantém as equipes em movimento.

Muitos deles são ciclistas dedicados.

“Muitas pessoas se disporiam a fazer isso até o momento em que as condições ficassem realmente difíceis — mas queremos terminar porque é legal”.

Woodward disse que é preciso um tipo especial de pessoa para que um trabalho tão difícil seja concluído. Ele vai se lembrar do trabalho como uma oportunidade única de passar tanto tempo na natureza e pelo pesadelo logístico de tentar usar helicópteros no clima da costa oeste.

Abseil Access crew members brave winter snow to work on a suspension bridge on the Paparoa Track....

Membros da equipe da Abseil Access enfrentando a neve do inverno para trabalhar em uma ponte suspensa na Trilha Paparoa. FOTO: ABSEIL ACCESS

“Às vezes parecia que estávamos em uma operação militar”.

As equipes estiveram sempre próximas aos 29 homens de Pike. Eles passavam pelo memorial da mina, paravam e passeavam por lá; um trecho da Trilha Memorial voltada para o poço de ventilação da mina era onde eles costumavam parar para conversar sobre os mineiros.

“Me sinto privilegiado por fazer parte disso e terei orgulho quando as pessoas andarem na trilha e eu puder vê-las se divertindo.”

Sua outra esperança era de que a trilha desse nova vida à cidade de Blackball.

“Espero que, quando voltar em 10 anos, seja uma cidade próspera.”

As equipes comandadas pelo supervisor de operações Mike Osborne, do Departamento de Conservação da Trilha Paparoa, enfrentaram condições em ambas as extremidades do espectro.

Começando o trabalho em janeiro de 2018, de Ces Clark até o abrigo Moonlight no extremo sul da trilha, as duas equipes de quatro homens detonaram e escavaram rochas em faces íngremes ao longo de 8 km de Moonlight Tops. A tarefa de construir 2,4 km da Trilha Inland Pack, ao norte, os fazia mergulhar na lama toda vez que chovia.

“Era só chover que virava um pântano. Estávamos atolados até os joelhos e tínhamos que continuar”.

A recompensa para Osborne e sua equipe foi a chance de trabalhar em uma região tão diversa.

“Todos os dias encarávamos algo diferente. E o clima era incrível — tanto bom quanto ruim.

“A dedicação das pessoas envolvidas e o compromisso de realizar esse trabalho são enormes e tenho orgulho de fazer parte disso”.

A conexão de Osborne com a trilha continuará — ele será encarregado de continuar cuidando dela com a ajuda de guardas, equipes de campo e daqueles que pedalam e caminham pelas trilhas.

“Quero que as pessoas apreciem esse lugar tão especial e reflitam sobre a história da bacia hidrográfica do Pike, uma parte crua e intocada do mundo”.


Nota: O acidente na mina de Pike River ocorreu em 19 de novembro de 2010 em Greymouth, Nova Zelândia. Uma explosão deixou cerca de 29 mineiros presos a pelo menos 1.500 metros da entrada da mina.

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