A legitimação da bicicleta em trilhas no Brasil

A legitimação da bicicleta em trilhas no Brasil

No Brasil não temos muitos exemplos de trilhas onde a bicicleta foi oficialmente legitimada, contudo o ciclismo em estradas de terra é muito popular. Isso pode ser explicado pelo fato de apenas 12% das estradas do país contarem com pavimentação, de acordo com o Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Na Europa, onde a maioria das ruas são asfaltadas, o ciclismo de estrada é muito mais popular que o Mountain Bike. Esse cenário vem de longa data, pois estamos falando de países desenvolvidos. O Brasil ainda engatinha em sua infra-estrutura de estradas.

No Brasil, o Mountain Bike tem sido atendido por lugares inapropriados, mas recentemente vem experimentando um ressurgimento de uma forma mais organizada e consciente. O surgimento de Bike Parks privados é um exemplo, mas também existem exemplos de parcerias entre comunidade e prefeituras para criação ou adequação de trilhas de bicicleta públicas em parques municipais.

Abaixo fazemos um resumo de lugares relevantes onde a bicicleta foi oficialmente legitimada.

Nova Lima, MG

“Se Minas não tem mar, então vamos para as trilhas caminhar e pedalar,” é o lema de um grupo de entusiastas de Nova Lima (MG), uma adaptação de uma frase sobre bares. A cidade publicou em 2016 o Decreto 6.773 prevendo o tombamento de 300km de trilhas espalhadas pela região metropolitana.

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A idéia veio de ambientalistas, associações de moradores e frequentadores das áreas e tem como objetivo a preservação das serras e bens naturais, uma conquista para gerações do presente e do futuro. As rotas são estradas de terra e trilhas estreitas – “single-tracks” que atravessam áreas de transição entre mata atlântica e cerrado, montanhas com formatos únicos, além nascentes e cachoeiras. São diversas as espécies de árvores e plantas, como pau-brasil, copaíba, samambaiuçu e angico-rosa-bicuíba. Nestas áreas também vivem várias espécies de animais, como lobos, onças-pardas, tangarás-dançarinos e saíras-azuis.

No papel, o Decreto 6.773 prevê a preservação, a organização e o fomento dos mais diversos usos das trilhas, tradicionais no município. Ele inclui identificação, mapeamento, manutenção e sinalização das estradas. A previsão da prefeitura é que a fiscalização e a manutenção das áreas, além de ser feita por órgãos do Executivo, envolva também os próprios ciclistas e conte com o apoio da iniciativa privada em forma de patrocínio e de eventos ou publicidade.

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Zoom Bike Park, Campos do Jordão SP

Esta é uma proposta bem diferente de todas as outras no Brasil, pois surgiu como um empreendimento privado e construído do zero de acordo com as recomendações internacionais de construção de trilhas sustentáveis da IMBA. Uma equipe de menos de 10 pessoas construiu este bike parque com 26km de single-tracks específico para mountain bike. As trilhas são interligadas em formato de stacked-loops, isto é, circuitos que o ciclista pode combinar de diversas formas e de acordo com seu nível de habilidade.

Além das trilhas fantásticas, o lugar oferece estrutura para eventos, lanchonete e restaurante e outros tipos de aventura, como arvorismo, tirolesa, passeio a cavalo e paintball.

Quanto ao foco principal do parque, que é o verdadeiro Mountain Bike, a empresa deixa bem claro os problemas que os motivaram:

  • Trilhas que ciclistas frequentam no Brasil são apenas caminhos de roça
  • Manutenção delas é inexistente
  • São frágeis quanto à quantidade de usuários
  • Degradam o solo e a vegetação

Para resolver estes problemas, descobriram na prática (desde 2012) o que dizem os manuais da IMBA:

  • Trilhas sustentáveis suportam o uso atual e futuro causando mínimo impacto
  • Produz movimento ou perda de solo insignificante, permitindo que a vegetação habite a área
  • Reconhece que a poda ou remoção de certas plantas sejam necessários para a manutenção adequada
  • Não afetam negativamente a vida animal da região
  • Requerem pouca mudança de curso e mínima manutenção a longo prazo

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Cemucam, Cotia SP

O Parque Cemucam em Cotia, São Paulo é o pioneiro do Brasil neste segmento. Conta com uma pista toda sinalizada com 7,6km de extensão. O local já recebeu diversos eventos e competições e é o local do nascimento do MTB 12 Horas. O biker Edu Ramires, construtor e mantenedor do atual traçado do parque diz que frequentemente tem problemas com ciclistas que não seguem a demarcação e “cortam caminho”, o que é proibido, o que pode ser resolvido com melhorias no projeto do traçado, na sinalização e na conscientização dos usuários.

Parque Estadual do Juquery, Franco da Rocha SP

O Parque Estadual do Juquery em Franco da Rocha, São Paulo, é uma Unidade de Conservação que abriga o último remanescente de Cerrado preservado na região Metropolitana de São Paulo. Tem como símbolos a Seriema, ave típica do cerrado e de fácil observação e o Ovo da Pata, ponto mais alto do Parque com 942 m de altitude. O Parque possui 2.058,09 com áreas de Mata Atlântica e Cerrado, onde abriga uma rica biodiversidade de plantas e animais.

Em 2014 o parque inaugurou uma trilha de mountain bike com 14km de extensão e com nível médio de dificuldade, atendendo assim iniciantes do esporte.

Parque Ecológico Monsenhor José Salim, Campinas SP

Era uma antiga fazenda adjacente à cidade de Campinas que depois foi adquirida pelo município e tornou-se um parque ecológico. Em 2015 recebeu investimentos e através de uma parceria da comunidade de ciclistas, a administração do parque e da prefeitura de Campinas, agora conta com uma pista de mountain bike de 4,2km e outra de 6,2km para iniciantes. Recentemente também foi inagurada uma pista de downhill de 900m. Além das pistas de mountain bike, conta com quadras poliesportivas, campos de futebol e pistas de caminhada e corrida, além de amplo estacionamento.

O parque possui espécies nativas da região da bacia do rio Piracicaba e outras da flora brasileira, especialmente palmeiras. Também conta com exemplares tombados e restaurados da arquitetura campineira do século XIX, entre eles, o Casarão, a tulha e a capela da antiga Fazenda Mato Dentro, espaços que integram um Museu Histórico Ambiental e o desenvolvimento de diversos programas de educação ambiental.

 

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